Um dos PMs que recusou R$ 1 milhão de Nem vive em casa alugada, no subúrbio do Rio
Quando foi preso, na
madrugada de quinta-feira, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ex-chefe do
tráfico de drogas da Rocinha, ofereceu R$ 1 milhão de reais para
que os policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar dessem a
liberdade a ele. Corromper policiais era uma prática corriqueira
para Nem, que repassava metade de seu faturamento para a banda
podre das polícias Civil e Militar do Rio. Naquela madrugada,
entretanto, Nem tentou subornar os policiais errados.
Um dos homens que recebeu a
oferta de Nem foi o cabo André Souza, de 39 anos, que há nove anos
é PM. Nesta sexta-feira, o jornal O Dia, do Rio, mostra que
Souza vive em uma casa humilde, alugada no subúrbio do Rio e que
precisaria trabalhar 44 anos seguidos sem gastar nada para juntar o
R$ 1 milhão oferecido por Nem. Para Souza e seus colegas, essa
condição não foi suficiente para corrompê-los.
“Me deu muita raiva.
Estavam nos comparando aos policiais que foram presos horas antes,
dando cobertura na fuga de traficantes. Mas ofereceram dinheiro aos
caras errados, não é isso que vai pagar a nossa dignidade”,
desabafou o cabo, que não tem carro e vai trabalhar de carona ou
trem. (…) Acostumado com o pouco ‘glamour’ da profissão, Souza
só entendeu a dimensão de prender o traficante mais importante do
Rio ao chegar no quartel, na manhã desta sexta-feira. Recebido aos
gritos de ‘parabéns’ e pela euforia da equipe, o militar diz que
a maior recompensa é o reconhecimento da família e dos amigos.
“Minha mulher ligou e disse que tem orgulho de mim, que sou o herói
dela. Isso vale muito mais que R$ 1 milhão”.
O Bom Dia Brasil, da TV
Globo, conversou com um outro PM que recusou a oferta de Nem. É
o tenente Disraeli Gomes (foto), de 32 anos, que tem três
filhos e conta por que recusou a oferta: [Quem tenta comprar a minha
honra] não sabe o perigo que está correndo, não sabe até onde eu
posso ir para defender a minha honra. De forma alguma… eu não
teria coragem de encarar um familiar meu, meu pai, meus filhos,
depois de praticar uma ação dessas. (…) [Para chegar em casa] vou
levar mais uma hora e dez de trem, mais vinte minutos andando… mas
vai ser bom, né? Poder deitar na minha cama com o sentimento de
dever cumprido.
FONTE: EPOCA

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