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O
aparelho, um pouco maior que um grão de arroz, será implantado a
partir de uma pequena cirurgia. Na arma usada pelo policial - uma
pistola modelo 889 - será colocado um receptor que recolhe os dados e
impede que a trava de segurança seja liberada caso outra pessoa tente
fazer os disparos. O equipamento tem o número de identificação e conta
ainda com uma bobina e um dispositivo que proporciona a conferência das
informações contidas no chip através do sistema de radiofrequência.
Esse
é o primeiro teste do tipo do Brasil. "É algo tão simples que não sei
como ninguém teve essa ideia antes", brincou o físico, que também
implantou um chip na mão, em agosto do ano passado, um mês depois do
início da pesquisa. Os testes, feitos com uma arma de brinquedo,
garantiram 100% de precisão, de acordo com Gazziro. "A eletrônica usada
no projeto é a mesma de sistemas de aviões. É impossível a arma
funcionar acionada por alguém que não tenha o chip implantado".
O
objetivo do invento, segundo o professor, não é ganhar dinheiro e,
sim, reduzir os riscos de que pessoas inabilitadas façam uso de armas.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde, de 2008, mostraram que
acidentes com armas de fogo mataram 36 crianças naquele ano. Outros 271
menores foram hospitalizados pelo mesmo motivo. No último dia 22, um
garoto de 10 anos atirou contra a própria cabeça depois de balear uma
professora numa escola pública de São Caetano do Sul (SP). A arma usada
pelo menino era do pai dele, um guarda civil. A professora sobreviveu.
Na
pesquisa, o físico Mário Gazziro contou com acompanhamento médico que
definiu o local e a maneira corretos de instalar o chip, sem risco de
rejeição. O aparelho será colocado logo abaixo do dedo mínimo, com uso
de anestesia local. "É um local sem veia e com gorduras. O chip é
introduzido por meio de uma injeção. Ele vem esterilizado dentro de uma
agulha".
Inspiração.
A ideia de criar o chip teve como inspiração o filme "Distrito 9", um
roteiro de ficção científica em que armas usadas por alienígenas não
funcionavam nas mãos de humano. "Vi o filme com alunos e pedi a eles que
tentássemos fazer o mesmo numa pistola comum, usando tecnologia de
identificação por radiofrequência".
1) Professor Mário Gazziro, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC/USP), que desenvolveu o projeto
2) Radiografia que exibe local onde o chip é instalado, abaixo do dedo mínimo
3) O chip é um pouco maior que um grão de arroz
4) Protótipo de pistola que dispara somente na mão do dono, com dispositivo e bobina
No varejo, kit deverá custar até R$ 250
O
objetivo do professor Mário Gazziro é montar kits do experimento e
firmar parcerias com a indústria de armamento. "Queremos lançar um site,
em fevereiro, para divulgar o projeto, definir o procedimento
cirúrgico ideal e lançar a ideia sem patente nem royaltes". Segundo o
pesquisador, no varejo o kit deve atingir o valor máximo de R$ 250.
No
entanto, o uso do chip ainda é restrito ao ambiente científico.
Gazziro conta com apoio do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e
Tecnologia (Inmetro) para a fase posterior de testes oficiais, e
também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para
autorizar o implante em seres humanos, o que ainda não é permitido no
Brasil.
Entrevista com Mário Gazziro
"Meu objetivo é apenas social"
Qual a intenção do senhor em desenvolver esse projeto que permite que armas de fogo sejam acionadas apenas por seus donos?
Meu
objetivo é apenas social: reduzir o número de acidentes com armas
envolvendo crianças e adolescentes. Se isso acontecer, meu retorno já
está garantido.
Como foi possível viabilizar a construção desse chip?
Eu
já trabalhei no desenvolvimento de chips para animais silvestres. E o
uso de chips em humanos é autorizado nos Estados Unidos. Lá, algumas
pessoas usam chips para abrir a porta de casa e ligar o computador.
O chip será comercializado?
Sim, o chip e os componentes necessários ao funcionamento completo do circuito.
E qual será o preço médio?
Acredito
que varie entre R$ 100 e R$ 250. Mas não vou ganhar nada com isso,
pois cedi o projeto para domínio público. Publiquei num congresso na
Espanha e quero apenas diminuir a violência.
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Disparo. No futuro, a invenção também pretende identificar o momento exato do disparo.<
Em Minas. Sobre
a possibilidade de policiais usarem o chip, a Polícia Civil e a
Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informaram que não comentam
pesquisas em andamento. O uso do dispositivo em policiais depende de
lei.
Nos EUA. O uso de chips similares é liberado nos Estados Unidos desde 2004.



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